os vestidos bonitos e coloridos em saldos nas lojasnão apetece experimentar
o pequeno baby-grow pendurado na secção de criança
uma lágrima
os bolos da pastelaria que derretem deliciosos na montra
não apetece comer
o casal de rapazes que se abraça nas ruas da baixa
livres
o cheiro dos artigos da papelaria Fernandes que nos recordam a Primária
a mão, crescida, na montra
a linguagem gestual de dois senhores à entrada do metro no Chiado
conversam tanto
as longas escadas que sobem até à Rua Nova do Almada
devagar
o lindo pastor alemão que guia o dono pela trela, a fitar o chão atentamente
não apetece fazer festas
A Fnac que exibe o Moulin Rouge de 52 num LCD na montra
dançar,
é bom dançar...
as luzes que se acendem ao escurecer
fica tudo mais lindo
a amiga que não devolve o telefonema
era bom ouvir
a pessoa que se ama que corre ao nosso encontro
beijo,
lágrimas,
choro
o carro que nos leva a casa
e nos protege de tudo num abraço
tudo o que é mau finalmente perde importância
e o que é bom reforça em nós o desejo de durar para sempre
ficamos reduzidos a uma enorme insignificância... um mês e meio de espera para saber por onde ir
'vamos lá ver o que é! vamos fazer um exame!'
e tudo na vida passa a ser relativo.

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