Thursday, January 19, 2012

tudo se relativiza

os vestidos bonitos e coloridos em saldos nas lojas
não apetece experimentar

o pequeno baby-grow pendurado na secção de criança
uma lágrima

os bolos da pastelaria que derretem deliciosos na montra
não apetece comer

o casal de rapazes que se abraça nas ruas da baixa
livres

o cheiro dos artigos da papelaria Fernandes que nos recordam a Primária
a mão, crescida, na montra

a linguagem gestual de dois senhores à entrada do metro no Chiado
conversam tanto

as longas escadas que sobem até à Rua Nova do Almada
devagar

o lindo pastor alemão que guia o dono pela trela, a fitar o chão atentamente
não apetece fazer festas

A Fnac que exibe o Moulin Rouge de 52 num LCD na montra
dançar,
é bom dançar...

as luzes que se acendem ao escurecer
fica tudo mais lindo

a amiga que não devolve o telefonema
era bom ouvir

a pessoa que se ama que corre ao nosso encontro
beijo,
lágrimas,
choro

o carro que nos leva a casa
e nos protege de tudo num abraço

tudo o que é mau finalmente perde importância
e o que é bom reforça em nós o desejo de durar para sempre

ficamos reduzidos a uma enorme insignificância... um mês e meio de espera para saber por onde ir

'vamos lá ver o que é! vamos fazer um exame!'

e tudo na vida passa a ser relativo.

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