Muitos casacos, malas, mochilas e chapéus-de-chuva... quase tantos quantos os passageiros prevenidos do autocarro carregado em dia de muita chuva.
Primeiro nunca mais chegava. Depois, lá apareceu, já muito cheio e para entrarmos empurrámos tanto até encontrarmos o espaço necessário a cabermos todos, condescendentes uns com os outros, já que chovia tanto.
Na paragem seguinte, saindo uns, o que permitia mais ou menos gerir o espaço e deixar entrar mais umas alminhas encharcadas, para terminar-lhes o sofrimento. E assim fomos sendo um tanto ou quanto humanos.
Até que, a jovem moça que se segurava numa daquelas pegas do tejadilho, aproveita uma travagem, e se deixa literalmente cair para cima do moço giro que ia atrás dela.
Giro, de casaco azul escuro, barba por fazer, cabelo castanho, moreno, e elegante, sorri para ela, como que entendendo que ela não podia fazer nada face à inércia... achei giro os sorrisos entre ambos e o encolher de ombros, sem nenhuma palavra, como que a anuírem mutuamente o sacrifício feliz daquele momento.
5 minutos depois, já a inércia tinha desaparecido e a moça lá continuava feliz encostada ao rapaz. O autocarro já direito e já com espaço e ela simplesmente encostada. Foi lindo ver aquele mexer de ombro dele, ainda delicado, quase que a dizer 'acorda'.
Dizem os mais modernos que isto de encostar é bom em qualquer lugar e com qualquer um.
Mas o moço é que não vai na cantiga do 'encosto à primeira vista'. Lá teve certamente a rapariga de ir procurar encosto noutro lugar.
Já não se faz química como fisicamente!

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