Tuesday, November 06, 2012

O Avô e o Som das Estrelas

Filhotes de andorinhas a piarem nos ninhos junto à minha janela, acordaram-me hoje... tem sido assim todos os dias desde que cheguei.

Por entre a fresta das persianas o Sol procurava de novo invadir-me o quarto... abri-lhe a janela e deixei-o entrar.

Cheira tão bem aqui... o ar é tão puro.

Ontem, pouco antes de adormecer, aproveitei a rua pouco iluminada e estive longamente embevecida por este céu muito escuro a contemplar a miríade de estrelas e as estrelas cadentes... e a inebriar-me com os sons da noite.

Recordei a minha infância na terra do meu pai. Fez 30 anos que aleguei, muito segura de mim que, no jardim da casa da terra, as estrelas faziam barulho sempre que cintilavam. Mas para frustração minha o avozinho não escutava nada... e deve ter revelado o argumento aos meus pais que, preocupados, vieram à vez averiguar o que se passava comigo e com as estrelas. Até que por fim o avô percebeu, sorriu e ensinou-me que os sons que eu ouvia eram os grilos.

Sabem porque eu gostava tanto do meu avozinho?
Ele ouvia-me...
Naturalmente, com tanta dedicação, acabava por compreender-me. E eu nunca o vou esquecer por isso.

Hoje sei que só compreendemos as pessoas que ouvimos...
E que só ouvimos as pessoas por quem nos interessamos.


16 de Agosto de 2010
Crónicas de Carla
by Carla Trindade

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